
Nesta publicação, você ouve o último capítulo da série "Cartunistas Brasileiros". O homenageado da vez é Henrique de Souza Filho, o Henfil. Acompanhe essa reportagem e ainda, ouça trechos de "O Bêbado e a Equilibrista".
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Nesta publicação, você ouve o último capítulo da série "Cartunistas Brasileiros". O homenageado da vez é Henrique de Souza Filho, o Henfil. Acompanhe essa reportagem e ainda, ouça trechos de "O Bêbado e a Equilibrista".


O que você compraria com 750 libras? (Ou, para quem não sabe a cotação de cor, aproximadamente 2370 reais -- isso com a taxa de câmbio de hoje, a libra valendo R$3,15).
Você poderia ter comprado uma edição limitada de The Devil May Care, o novo livro do James Bond, escrito por Sebastian Faulks. Foi publicado pela editora Penguin, mas o toque final foi da Bentley, que fabrica os carros do Bond. Cada um dos trezentos livros vinha em uma capa especial de couro italiano, feito no mesmo lugar que fornece couro para o interior dos carros da Bentley. E de brinde, ainda vinha uma miniatura do Bentley R, carro que aparece em Thunderball e On Her Majesty’s Secret Service – na verdade, esse carro nunca existiu, então as miniaturas foram baseadas nas descrições do Ian Fleming, criador do 007.
E você ainda teria lucrado! Algumas semanas depois, já havia gente vendendo a mesma edição por 3500 dólares, mais do que o dobro do valor original.
Mas as extravagâncias literárias não param por aí. No ano passado, era possível comprar o livro Dancing with the Bear, de Roger Shashoua por 3 milhões de libras. Na capa, 600 diamantes. O título estranho não explica o livro, que é sobre como o autor se tornou milionário na Rússia. Engraçado é pensar que quem dispõe de mais de 9 milhões de reais precise de dicas sobre negócios.
Os mortais como eu talvez cheguem à mesma conclusão: isso está me cheirando a tática de editora. E tática muito boa, alias para a situação atual das editoras, que a cada dia tem de lidar com uma concorrente cada vez mais forte: a internet. Tudo bem que pouquíssimos podem comprar edições tão caras como essas duas que citei, mas a idéia de transformar o livro em um objeto de coleção, ou torna-lo cada vez mais único é interessante. Ao menos para concorrer com os livros que podem ser impressos, por exemplo, do domínio público ou no GoogleBooks.
consciência do personagem Oswaldo arremata a inocência infantil presente nos meninos que insistem agir como homens. “El semáforo es caramelo de mento: exquisitamente. Ahora, rojo: bola de billar suspendida em ela ire”.
Por ter menos que 18 de anos, Carambola aguarda na porta do bar o ansião terminar a partida, para convidá-lo para uma cerveja num outro local. Depois de questionamentos e trocas de conselhos, cada qual retoma seu caminho para casa, e, a história que poderia terminar com a maturidade do menino como pano de fundo é derrubada pelo monólogo de Choro Plantado: “Casi todas las chelfas son iguales. Pobre Carambola! Si supiera que su tal Alicia es más puta que una gallina. Todas lãs gilas son igualitas. Pobre Carambola!”. E assim, o garoto que aparentava ser maduro é desmascarado pela desilusão amorosa prevista pelo senhor, por conta do excesso de confiança que Carambola deposita na paixão por uma menina, que jura ser pura. Oswaldo mostra para o leitor que o personagem ainda é uma criança inocente. Até o momento não consegui meu exemplar de Salão de Beleza, do mexicano Mario Bellatin. Mas consegui o seu Lecciones para una liebre muerta (Barcelona: Editorial Anagrama, 2005).
Apesar de Lecciones ainda não ter sido editado em língua portuguesa, estou tentando resenhá-lo.
Salão de Beleza, que fica para uma próxima.
Abaixo, Mario Bellatin é entrevistado após ganhar prêmio de literatura no México, em fevereiro deste ano.
Aí vai a resenha:

Em “El Búfalo de la Noche”, Manuel Aguilera é um jovem ordinário de classe média da Cidade do México, mas poderia ser de São Paulo ou também de Buenos Aires. É independente e intempestivo, mas constantemente se vê em conflito com sua consciência. Seu bíceps esquerdo é riscado por cicatrizes, fruto do esforço de apagar uma tatuagem preterida, sob a forma de um búfalo.

O mexicano foi entrevistado pelo programa “Roda Viva” no dia 9 de julho do ano passado, e descreveu a literatura como umas das formas naturais de uma pessoa se vincular com o mundo. Para ele, o ato da leitura deve servir de instrumento para as pessoas se encontrarem com si mesmas, “um lugar onde elas devem se identificar com as histórias e seus personagens”.
Revistas literárias são raras por aqui. Recentemente, conhecemos a versão brasileira da inglesa Granta, fundada em 1889 (isso mesmo!) por alunos da universidade de Cambridge.
Hoje estou aqui para contar sobre uma que é produto nacional e motivo para orgulho:
Em 2008, Inimigo Rumor completou dez anos e vinte números.
No começo, era publicada pela editora Sette Letras (atual 7Letras) e editada pelos poetas Carlito Azevedo Júnior e Júlio Castañon Guimarães. No primeiro número, de cara poemas inéditos de Haroldo de Campos, Sebastião Uchoa Leite, Armando Freitas Filho e Francisco Alvim. Não havia editoral. No site da Cosac Naify, Carlito Azevedo justifica essa ausência com sua certeza nos textos, que já serviam como uma apresentação ao público: "Confio bastante na capacidade dos poemas e dos ensaios selecionados, e na montagem final, dizerem o que tem que ser dito". Os autores e seus textos - não apenas brasileiros, vale lembrar - já justificavam e anunciavam a intervenção que a revista pretendia.
Com o tempo, veio o crescimento: no número 14, com a parceria da Cosac Naify, a tiragem triplicou: de 500 para 1.500 exemplares. Em dez anos, passaram pelas páginas da Inimigo Rumor autores como Ferreira Gullar, Antonio Candido e Walter Benjamim. E os assuntos não se restringem à poesia: há ensaios sobre artes plásticas, música, e até trabalhos fotográficos.
O nome da revista, à primeira leitura curioso, deriva do título de um livro do poeta, novelista e ensaísta cubano Lezama Lima, Enimigo Rumor. Para quem faz a revista, o nome foi e continua sendo uma definição de poesia. E para quem se interessa por literatura, vale conhecer tanto a revista quanto o livro. Boas leituras!
Vale a pena fazer uma forcinha para entender o espanhol. Borges é sempre Borges.

Minha intenção é a de postar, no fim do mês de junho, a resenha de Salão de Beleza (1993), livro de Mario Bellatin.
Nascido no México, foi em Lima (Peru) que o escritor estudou Teologia e Ciências da Comunicação e, na década de 1990, publicou seus primeiros romances. Ele criou e dirige até hoje a Escola Dinâmica de Escritores, que fica na Cidade do México.
A única obra de Bellatin lançada aqui no Brasil é Salão de Beleza, que saiu em 2007 pela editora Leitura XXI, do Rio Grande do Sul. Para quem mora em São Paulo, pesquisa em várias livrarias e não encontra, a espera por um exemplar pode durar mais de dez dias.
Em março, o escritor coordenou uma oficina de criação literária para doze participantes, no Centro Cultural Barco, em São Paulo. O resultado dela foi um romance coletivo.

Está nas bancas o 7ª número da coleção Cadernos EntreLivros sobre literatura latino-americana, justamente o tema que estamos tratando desde o início do mês.O que chamamos de literatura latino-americana? Aqui, optamos pelos países de língua espanhola, ou melhor, cuja colonização foi feita a partir do México e que veio descendo até o sul, mesclando culturas nativas com a do colonizador, criando tensões indiscutíveis de identididade cultural.Só para citar alguns nomes entre as dezenas de autores: Gabriela Mistral, Julio Cortázar, Carlos Fuentes, Manuel Puig, Octavio Paz, Roberto Bolaño.
Amigos, outro dia li um livro que me fez pensar um tanto.
Até o final da semana posto a minha resenha do livro que baseou o filme O Passado, estrelado por Gael García Bernal.

Veneno remédio é uma idéia contida na palavra grega "fármacon", poção que pode curar ou matar. É a força que revira em seu contrário, o mesmo que se transforma em outro, o avesso do avessoDestaco os ensaios A catástrofe, o veneno da Copa de 50, e Pelé e Garrincha, o remédio oriundo da Suécia em 58. É o Brasil "vira-lata" de 1950 e o Brasil campeão do mundo em 1958.
A partir deste bimestre, o blog 68Letras passa a falar não mais de maio de 1968, mas de América Latina. Copiei da Wikipedia esta tabelinha, para começarmos a entrar no clima. Boa sorte a todos!
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| Espanhol: América Latina | ||
| Línguas oficiais | Português, Espanhol, Francês (Haiti) e línguas indígenas. | |
| Países | ||
| Área - Total | 2º maior1 cerca 21.000.000 km² | |
| População - Total (2006) | 3º mais populoso1 548 milhões | |
| PIB por Nominal - Total (2006) | 4º maior(depois do Nafta ,UE e Japão1 U$ 2.284.723.000.000 | |
| Fuso horário | UTC -2 a -8 | |
| Organizações regionais: ALBA, ALCA, ALADI, ALLC, APEC, BID, CAN, Caricom, CEPAL, UNASUL, FLAR, G3, Mercosul, OECA, OECO, PARLATINO, PC, SEL. | ||
Come torta!

O protesto de literalmente milhares. Foto de Evandro Teixeira

De Militares no Poder até a Internet
"Se eu me esquecer de ti, ó Jerusalém, que se resseque a minha mão direita. Apegue-se-me a língua ao paladar, se não me lembrar de ti, se não preferir eu Jerusalém à minha maior alegria."O macaco tinha se esquecido da cidade sagrada, mas não conseguia olvidar aquele salmo. Olhava para as duas mãos peludas com uma sensação curiosa de medo, mas não de culpa. Havia abandonado a capital sagrada para engajar-se nas lutas de Paris, para enfiar-se nas trincheiras profanas da pólis da luz. "Meu filho, essa batalha nada tem a ver contigo, um macaco de Israel". "Querida mãe, a estrela de David brilha na Europa tão forte quanto brilha na Judéia; deixa-me ir, e prometo que volto". A macaca velha deixara -- as recentes conquistas da Guerra dos Seis dias tinham derretido o coração dela. E cá estava ele, nas margens do Sena afugentando pombos. Chegara tarde demais, os rebeldes já tinham sido reprimidos. Não encontrava em lugar algum os olhos brilhantes dos revoltosos. "Se eu me esquecer de ti, ó Jerusalém", murmurava com tom irônico, "que se resseque o meu coração, a minha alma e todo o mais, menos a minha mão, para que nela eu ainda possa usar meus anéis faustosos". Tinha se tornado um filósofo, de repente, embaixo das nuvens francesas, descansando na sombra de Notre Dame, a senhora dos cristãos. Mas sabia -- os melhores filósofos são os árabes. Seu melhor amigo, macaco companheiro de uma infância gostosa passada no Neguev, era hoje um dos sufistas mais notáveis de Teerã (seu pai tinha sido um leal servidor do império Otomano, porém, e detestava os mitos abássidas e os sussurros a respeito de Imanes Ocultos). O islamismo permitia algumas loucuras a que o cristianismo e o judaísmo já tinham se tornado imunes, percebia. Mas o racionalismo francês não era imune a nada, e tinha levado o império carolíngio àquela situação tenebrosa -- jovens trancafiados em casa enquanto os gorilas de De Gaulle marchavam livres nas ruas reurbanizadas. Não que na terra de David a coisa estivesse menos enegrecida. O gás lacrimogêneo dos judeus, na terra sagrada de Jerusalém, era a própria atmosfera, e nas pedras desgastadas do último muro (dádiva do Imperador Adriano!, que tinha poupado ao menos aquele pedaço de relíquia, maldito seja o romano) as lágrimas de gerações se misturavam há seculos. Um casal passou por ele carregando duas malas de mão -- explosivos? Seria possível que a resistência ainda estivesse articulada? Bobagem. O mundo já tinha voltado seus olhos para a crise da França, a luta, para os seculares, já tinha sido ganha. Era assim que se fazia, nos países modernos. Um macaco de Israel, aquela batalha nada tinha a ver consigo mesmo. Sua mãe não estava enganada. E a estrela de David não brilhava ali tão forte quanto na Judéia -- ela mal brilhava. Aquela Europa agressiva, que expulsara os judeus no século XV, aquele continente ingrato. "Se eu não me lembrar de ti, tu não te lembrarás de mim também", concluiu, sorrindo. Levantou-se, mergulhou no Sena e nadou contra a corrente até a nascente oculta do rio. Percorreu os lençóis freáticos misteriosos, conheceu a origem da água do mundo e, quando voltou à superfície, já estava no Mediterrâneo. Glória ao nome desconhecido! Embarcou, sem ser visto, em um barco pesqueiro no Adriático. Navegou clandestinamente até a Anatólia, onde parentes distantes o receberam e o encaminharam a Israel montado em um camelo, como um rei vitorioso. Chegou a tempo das celebrações em homenagem ao aniversário de um ano da guerra de expansão -- vitória de Israel. Já não se via árabe nenhum sorrindo nas ruas. Golã, Sinai, Jordânia. Quando entrou em casa, sua mãe o abraçou como já não esperasse vê-lo com vida. "Convertestes os francos?", perguntou-lhe? "Não, minha mãe, não converti ninguém. Mas descobri que sou apaixonado por Jerusalém e jamais me esqueci da cidade sagrada. Minhas mãos não se ressecarão, porque não há nenhuma alegria que eu prefira à ela", disse. Sorriram, os dois com lágrimas nos olhos. Rezaram 68 vezes pela glória de David e dos nomes desconhecidos de deus.
"O AI-5 foi feito à noite e havia uma reunião lá em casa, amigos. Ao ouvir o Ato lido pelo Gama e Silva nas televisões e nas rádios, percebi que a coisa estava mal parada. Chamei minha mulher: “Vai olhando tudo aí que eu vou dormir. Estou muito cansado e vou ser preso amanhã cedo”."Carlos Castello Branco, jornalista nascido no Piauí, foi um dos maiores jornalistas políticos de toda história brasileira. Passou pela Tribuna da Imprensa, Diário Carioca, Diarios Associados, mas ficou conhecido mesmo no Jornal do Brasil.
Reassumindo e incorporando a proposta antropofágica de Oswald de Andrade, ou seja, propondo-se a "deglutinação cultural", o Tropicalismo relativizou, como assinala Celso F. Favaretto, as posições antagônicas da época na realidade brasileira, quando se oscilava "entre a ênfase nas raízes nacionais e na importação cultural". Nesse sentido, caracterizou-se por uma dupla dimensão dialética e pretendeu ser, ao mesmo tempo, brasileiro e universal, sem qualquer preconceito estético, "apenas vivendo a tropicalidade". Esse propósito amplo, e de certa maneira vago, converteu-se numa ampla atitude de carnavalização, no sentido bakhtiano do termo. A esse traço, aliam-se, ainda como retomada da "antropofagia", pesquisa de técnicas de expressão, humor, atitude anárquica em relação aos valores da burguesia, a que não faltam o sarcasmo, o deboche, a ironia, o espirito de paródia, o cosmopolitismo estilístico. Representou também "uma apropriação da pop-art e da op-art americanas e das vanguardas brasileiras" e é tido por alguns críticos como manifestação da "estética do precário". Os anos 70 assinalam o declínio da atitude.

Chieko descobriu que as violetas floresceram no tronco do velho bordo.
Ah! Elas haviam florido naquele ano de novo, pensou ela diante da suavidade da primavera. O bordo era realmente grande para o pequeno jardim no meio da cidade, seu tronco mais corpulento que os quadris dela. Muito embora a superfície velha e áspera do tronco, coberta de musgo, não pudesse ser comparada a seu corpo jovem e delicado...
Na altura do quadril de Chieko, o tronco ligeiramente retorcido da árvore dobrava-se à direita, logo acima da cabeça dela. A partir dessa dobra, numerosos galhos se estendiam em todas as direções e dominavam o jardim. As extremidades dos longos ramos pendiam um pouco devido ao próprio peso.
Logo abaixo da dobra parecia haver duas pequenas cavidades, e em cada uma delas cresciam violetas que floriam a cada primavera. Pelo que se lembrava Chieko, aqueles dois pés de violeta sempre estiveram ali.
Trinta centímetros separavam as violetas de cima das de baixo. Chieko, que chegava à plenitude da mocidade, às vezes perguntava a si mesma se elas se encontrariam algum dia. Será que se conheciam?, pensava ela.
O que significaria, entretanto, "encontrar-se" e "conhecer-se" para as violetas? Floriam três, quando muito cinco, a cada primavera, não mais que isso. Apesar de tudo brotavam e desabrochavam todo ano naquelas pequenas cavidades da árvore. Chieko contemplava-as da varanda, ou junto ao bordo, e, por vezes, sentia-se comovida pela "vida" das violetas sobre a árvore, ou se sensibilizava com a "solidão" delas.
